• Seva Corps

SERVIR A MÃE TERRA É RESTABELECER A SINTONIA COM A PRÓPRIA VIDA





Foto de Azzedine Rouichi no Unsplash

Nestes dois anos de pandemia e de trabalho focados em servir a quem serve e gerar conexões entre os projetos de Seva, percebemos que o nosso maior exemplo, o que mais nos inspira, é a forma como a natureza se comporta com todos os seres, através do serviço.


E nesses tempos de incerteza devido ao coronavírus e à crise climática, há um despertar global de que nosso modo de vida deve ser menos individualista e mais sustentável. Se faz urgente restabelecer uma relação amorosa, harmônica e respeitosa com a terra, com as mulheres e com tudo o que se refere ao feminino, se realmente queremos fazer sentido e continuar com a nossa existência como espécie.


Assim, quando honramos as mulheres no Seva Corps, honramos também a nossa mãe, a Terra! Queremos fazer um apelo para cada um que compõe a nossa rede para nos comprometer em restabelecer a nossa relação com Ela, seguindo exemplos que nos conduzam por este caminho como o "Buen Vivir”. Que um de nossos focos seja servi-la, assim como ela nos serve, incondicionalmente.


Começando com essa proposta, compartilhamos o exemplo do "Buen Vivir”, cosmovisão pluralista e prática ancestral dos povos nativos dos Andes, cujos princípios* prevalecem entre as comunidades indígenas da América Latina e são compartilhados por diferentes culturas ao redor do mundo.


Foto de Qingbao Meng no Unsplash

"Buen Vivir" vem da expressão original em Quechua "Sumak Kawsay" e Aymara "Suma Qamaña" (línguas tradicionais destes povos originários dos Andes), que significa viver em plenitude ( "Sumak" plenitude e "Kawsay" viver).


Este princípio de vida que se baseia na cosmovisão ancestral destes povos andinos sustenta, como o conceito sul africano de ubuntu, que o bem estar de um indivíduo só pode ser alcançado através de relações harmônicas com a comunidade de forma mais ampla, o que inclui as pessoas, o meio ambiente, outros seres vivos, seus ancestrais, o mundo espiritual e o Cosmo.


Na prática, essa cosmovisão implica em um conjunto organizado, co-participativo, co-responsável, sustentável e dinâmico dos sistemas econômico, político, socioculturais e ambientais, onde há uma relação diferente com a natureza, privilegiando-a e levando em conta a interconexão de todos os elementos que juntos formam o "todo", garantindo assim a realização de "uma vida plena", a realização do "Bem Viver”.


É, portanto, uma alternativa ao modelo de desenvolvimento baseado em uma abordagem capitalista, da cultura do progresso. A "Pacha Mama" ou mãe natureza tem um limite, que impede o crescimento em detrimento do "outro", o desenvolvimento ilimitado; por isso é urgente voltar a um modelo em harmonia com a natureza, compreender e aplicar a interconexão de todos os elementos, com complementaridade e cooperação - não na lógica da acumulação.

Assim, Bem Viver é uma forma de estar no mundo que está sendo considerada por comunidades externas aos povos originários e que convidamos cada um que compõe a nossa rede a experimentar e assumir, a través dos princípios sociais e ambientais que a traduzem a nossa linguagem: soberania alimentar, os direitos da terra, a justiça ambiental, a solidariedade econômica e proteção da biodiversidade local, entre outros.


Foto de Sergey Nivens em Getty Images

*sem conhecimento ou sabedoria não há vida "Tucu Yachay"; todos surgimos da mãe terra "Pacha Mama", a vida é plena "hambi kawsay"; a vida é coletiva "sumak kamaña"; e todos temos ideias e sonhos "Hatun Musky".

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